14 janvier 2008

Opiniões - Alberto Lisboa (Macau) & Jogos da Lusofonia


LISBOA DIZ SER LAMENTÁVEL AUSÊNCIA DA MODALIDADE NA LUSOFONIA
« Há má vontade dos dirigentes para com o hóquei em patins »

Regressou de férias e já sabia da má noticia da não inclusão do hóquei em patins nos Jogos da Lusofonia, que se irão realizar em Portugal, em 2009.
Alberto Lisboa, treinador da selecção de Macau, fez um balanço da presença no Asiático e volta a reclamar condições para a modalidade não se perder.

Por Vítor Rebelo (rebelo20@macau.ctm.net)

Alberto Lisboa está em Macau há vários anos, depois de ter jogado em Portugal em clubes secundários, mas a sério. Recentemente foi campeão pela quinta vez como jogador e quarta também como treinador. Gozou, depois do campeonato na Índia, alguns dias naquele país e foi passar o Natal a Portugal, onde deu uma entrevista ao jornal Record.

« Parti a loiça toda, ou seja, disse o que achava do momento do hóquei em patins a nível internacional », começou por referir ao PONTO FINAL, para continuar: « Acho que os portugueses têm uma boa quota parte da culpa pelo estado actual da modalidade. A mentalidade dos dirigentes em Portugal terá de mudar, sob pena da selecção nacional continuar a não ter hipóteses frente a países como a Espanha, que tem um projecto mais sério. »
Mesmo assim, em termos gerais, salienta Lisboa, « penso que os países europeus se esquecem dos outros, ou seja, dos mais fraquinhos. Qualquer dia estão a jogar sozinhos, entre eles. E é precisamente por isso que, noutros continentes, caso concreto do nosso, o asiático, o interesse pelo hóquei em patins tem vindo a diminuir. »

Desporto com tradições fica fora da lista
Vem isto a propósito da mais recente noticia de que o hóquei em patins foi, mais uma vez, afastado dos Jogos da Lusofonia (já o tinha sido na edição de 2006 em Macau). Lisboa reage: «É uma questão de bom senso. Então uma modalidade que tanto diz aos países lusófonos não é escolhida para a competição, onde estão nações com tradições no hóquei, como são os casos de Portugal, Angola, Moçambique, Brasil, Macau? Ainda por cima com a prova a ter como palco Portugal? Acho que isto tem mais a ver com má vontade de certos dirigentes em relação ao hóquei em patins. Com todos estes dissabores é natural que a modalidade vá caindo, por todo o lado, talvez com a excepção da Europa. Mas lá está, qualquer dia estão eles a jogar só entre eles. »
Segundo as notícias que surgiram na comunicação social, o hóquei em patins foi preterido pelo judo, no lote de desportos para os Jogos da Lusofonia de 2009, a disputar em Lisboa.

Presidente da Patinagem – “estranha decisão”
O presidente da Federação Portuguesa de Patinagem, Fernando Claro estranhou a decisão da ACOLOP, recordando que “o hóquei em patins foi a modalidade que mais títulos deu a Portugal". Este dirigente fez chegar uma missiva ao secretário de estado do desporto sobre o interesse da inclusão do hóquei em patins, alegando « interesse desportivo e cultural ». Mas quem teve o poder de decidir escolheu o judo.
O presidente do Comité Olímpico de Portugal e também membro da ACOLOP, Vicente Moura, já respondeu a algumas críticas, referindo que para além do hóquei em patins, também judo, canoagem e natação estavam à espera de entrar na lista para os Jogos da Lusofonia.
Para além disso, disse Vicente Moura, « as modalidades a incluir têm de ser praticadas por pelo menos 60 por cento dos países que pertencem à ACOLOP. »

Não há um verdadeiro Campeonato do Mundo
Aqui por Macau a « família do hóquei em patins » ficou mais uma vez desiludida, aqui transmitida pelo seu treinador principal.
Voltando ao momento actual do hóquei, a nível mundial, Alberto Lisboa diz que o sistema tem de mudar para que haja um verdadeiro Campeonato do Mundo, como aconteceu em 2004 quando Macau esteve entre a elite mundial, onde participaram quase todos os continentes. « Não se compreende como o campeão de cada um dos continentes não tem presença assegurada no Grupo A. E não venham com as desculpas dos resultados desnivelados. Sempre houve a continua a haver. »
« O hóquei em patins, pode dizer-se, não é uma modalidade barata, e por isso muitos países têm dificuldades financeiras. Mas porque razão os mais fortes não mostram disponibilidade para ajudar? Assim vai ser cada vez mais complicado surgirem novos países. »
E o que é certo é que o continente asiático já teve mais gente a praticar a modalidade. No recente Campeonato da Ásia, realizado em Novembro em Calcutá, na Índia, só se inscreveram cinco selecções (Macau, Japão, Taiwan, Paquistão e Índia). Dos que também praticam o hóquei, estiveram ausentes Coreia do Sul, Coreia do Norte, República Popular da China, provavelmente todos por falta de apoios financeiros.

Jogadores de Macau perdem competitividade
Com este panorama o hóquei em patins está cada vez mais afastado de ter qualquer hipótese de entrar nos Jogos Olímpicos. E quando tem havido oportunidade para o relançar, as oportunidades têm-se perdido, como é este caso dos Jogos da Lusofonia e foram igualmente os Jogos Asiáticos em recinto Coberto, efectuados o ano passado em Macau.
No que diz respeito à selecção do território é pena que Lisboa, Ricardo, Almeida e companhia, não possam estar presentes na capital portuguesa, em 2009, onde poderiam dar uma boa imagem da qualidade do hóquei que tem praticado no continente asiático, com títulos atrás de títulos.
Assim, o hóquei em patins da RAEM só tem, em termos frequentes, duas possibilidades de sair ao exterior, o Asiático e o Mundial do Grupo B. De resto, vai efectuando umas partidas em casa e treinando quando pode, tanto no sector masculino, como no feminino.
Como é lógico, os homens estão mais evoluídos, mas há evolução evidente das meninas, «muito por culpa das participações internacionais », como disse o treinador Alberto Lisboa.

Asiático dificultado por factores alheios
Quanto aos rapazes, o técnico já « esqueceu » a vitória na Índia, tendo-a considerado mais complicada (e por isso saborosa) pelas adversidades encontradas em termos de piso, transportes cansativos em péssimas estradas, comida que não era a ideal para quem estava em competição. « Daí que não tivéssemos aplicado toda a nossa técnica, acabando por gerir os resultados. Éramos sem dúvida a melhor equipa. »
Depois do título, mais um, sendo o hóquei em patins a única modalidade que traz campeões asiáticos de regresso a casa, pensa-se no futuro imediato: « Vamos ter de reflectir sobre tudo isto e pensar nos próximos tempos. Irei ter uma conversa com o presidente da Associação de Patinagem, António Aguiar, para saber o que vamos fazer no imediato, » declarações do treinador-jogador que ainda não decidiu se colocará um definitivo ponto final na carreira de jogador da selecção. « Sinto para já que a minha presença na equipa ainda é útil, mas há-de chegar a altura em que a selecção jogará sem mim. Só lamento que haja alguma inveja de certas pessoas pelo facto de eu estar a jogar. »

Faltam valores de futuro, Mundial B com ambições
Lisboa considera que Macau tem selecção com um bom nível até 2010/2012, depois disso é uma incógnita. Tudo vai depender do que aparecer em termos denovos valores, mas temos de ser realistas, neste momento não há jogadores para assegurar o futuro do hóquei em patins.
«A presença no Asiático deu para lançar mais alguns novatos (João Cardoso e Edgar Rodrigues) e mostrar que a equipa feminina, só evolui se disputar muitas provas deste género. Sentimos que está a progredir de jogo para jogo, mesmo com muitas derrotas. »
Uma palavra final para o Mundial do Grupo B, que se irá realizar este ano (Outubro) na cidade sul-africana de Joanesburgo, onde Macau volta a ter legítimas aspirações à subida. Recorde-se que falhou por pouco (derrota por 3-2 com a Colômbia no encontro decisivo) a terceira posição no ultimo mundial, no Uruguai, em 2006.
« Temos equipa para fazer bons resultados. O núcleo duro da selecção está a actuar em conjunto desde 2003/2004 e esse entrosamento é muito importante.
Só continuo a lamentar o facto de não termos um pavilhão mais ao nosso dispor. Poderíamos de facto fazer coisas ainda melhores no hóquei em patins. »

Fonte : Site « Ponto Final »

Foto: Site “pmlobo.net
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Informação: Rinito Rita, um dos fundadores do Hóquei no Seixal: “Quando saí o Alberto Lisboa ainda jogava nas camadas jovens. Acho que jogou ainda no Benfica e depois foi para Macau.”

1 commentaire:

HF a dit…

Excelente texto.
Macau é uma terra maravilhosa.
Helder Fráguas